Registros DNS: A, CNAME, MX e TXT explicados

Registros DNS são entradas na zona de um domínio que dizem para onde cada nome aponta e como tratá-lo: site, e-mail, verificações. Cada registro tem tipo, nome, valor e TTL.

Atualizado em 6 min de leitura

Objetivos de aprendizado

Depois de ler este artigo, você vai conseguir:

  • Reconhecer os tipos de registro mais usados (A, AAAA, CNAME, MX, TXT, NS, CAA)
  • Ler uma zona DNS e entender nome, tipo, valor e TTL
  • Consultar registros com dig e evitar os conflitos mais comuns
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Quando você digita um endereço no navegador, o DNS traduz o nome para algo que a rede entende. Essa tradução vem de uma lista de instruções guardada para cada domínio: os registros DNS.

Quem mexe em domínio cedo ou tarde precisa criar um registro, seja para publicar um site, configurar e-mail ou verificar o domínio em algum serviço. Entender os tipos evita o erro clássico de apagar o registro errado e derrubar tudo.

Zona DNSNomeTipoValorTTL@A203.0.113.103600wwwCNAMEmeusite.com.br.3600@MX10 mail3600@TXTv=spf1 …3600SiteE-mailVerificaçãoSPF, DKIM
Cada registro da zona tem nome, tipo, valor e TTL, e o tipo define para onde o nome leva.

O que é um registro DNS?#

Um registro DNS é uma linha na zona do domínio, o conjunto de dados que o domínio publica nos seus servidores de nomes. Todo registro tem quatro partes:

Campo O que significa Exemplo
Nome Qual nome do domínio o registro descreve (@ é a raiz) www
Tipo A função do registro CNAME
Valor O destino ou o conteúdo meusite.com.br.
TTL Segundos que o resultado pode ficar em cache 3600

Uma zona de exemplo, no formato clássico de arquivo de zona (os endereços 203.0.113.x e 2001:db8:: são reservados para documentação):

text
meusite.com.br.        3600 IN A      203.0.113.10
meusite.com.br.        3600 IN AAAA   2001:db8::10
www.meusite.com.br.    3600 IN CNAME  meusite.com.br.
meusite.com.br.        3600 IN MX     10 mail.meusite.com.br.
meusite.com.br.        3600 IN TXT    "v=spf1 include:_spf.exemplo.net ~all"

Quais são os tipos de registro mais usados?#

A e AAAA#

O A liga um nome a um endereço IPv4. O AAAA faz o mesmo com IPv6. Um nome pode ter vários A, e cada cliente escolhe um dos endereços, o que espalha as conexões entre eles. É o registro básico de qualquer site. Para entender os tipos de endereço, veja IPv4, IPv6 e IP fixo.

CNAME#

O CNAME faz de um nome um apelido de outro. Quem resolve www.meusite.com.br descobre que é alias de meusite.com.br e segue a consulta até achar o IP. Vantagem: se o destino trocar de IP, você não precisa editar nada.

A regra que mais gera erro: segundo a RFC 2181, um nome com CNAME não pode ter outros dados. Como a raiz do domínio sempre tem NS e SOA, ela não aceita CNAME. Alguns provedores oferecem ALIAS, ANAME ou CNAME flattening, recursos próprios que simulam esse comportamento na raiz.

MX#

O MX define quais servidores recebem o e-mail do domínio. Ele tem um número de prioridade, e a RFC 1035 define que valores menores são preferidos. Com 10 mail1 e 20 mail2, o remetente tenta o primeiro e só usa o segundo se o primeiro falhar. O destino de um MX precisa ser um nome com registro A ou AAAA, nunca um CNAME (RFC 2181, seção 10.3).

TXT#

O TXT guarda texto livre e virou o canivete suíço do DNS. Usos comuns:

  • SPF: lista quem pode enviar e-mail pelo domínio. Começa com v=spf1.
  • DKIM: publica a chave pública que valida a assinatura dos e-mails.
  • DMARC: política para e-mails que falham em SPF e DKIM, publicada em _dmarc.seudominio.
  • Verificação de propriedade: serviços pedem um TXT com um código para provar que o domínio é seu.

Dois limites práticos: cada pedaço de texto num TXT tem no máximo 255 bytes (valores maiores são divididos em vários pedaços, o que a maioria dos painéis faz sozinho), e o SPF permite no máximo 10 consultas DNS (include, a, mx e similares) e um único registro SPF por nome, segundo a RFC 7208. Passar disso invalida o SPF.

NS, SOA e CAA#

  • NS: indica quais servidores de nomes respondem pela zona. É o que "delega" o domínio a um provedor de DNS.
  • SOA: metadados da zona (servidor primário, contato, número de série).
  • CAA: restringe quais autoridades certificadoras podem emitir certificados para o domínio. Exemplo: meusite.com.br. CAA 0 issue "letsencrypt.org". Está na RFC 8659.

Outros tipos existem, como SRV (localiza serviços por porta) e PTR (resolução reversa, de IP para nome), mas aparecem menos no dia a dia de quem hospeda um site ou bot.

Como consultar registros DNS?#

O dig mostra o que o DNS responde, sem cache do navegador no meio:

bash
dig meusite.com.br A +short
dig meusite.com.br MX +short
dig meusite.com.br TXT +short
dig NS meusite.com.br +short

No Windows sem dig, use nslookup:

bash
nslookup -type=MX meusite.com.br

Para ver o que um resolvedor público específico enxerga, passe o servidor: dig @1.1.1.1 meusite.com.br A +short. Se a resposta diverge do que você configurou, pode ser cache antigo: veja propagação de DNS.

O que é TTL e por que ele importa?#

O TTL é o tempo, em segundos, que resolvedores podem guardar a resposta. Com TTL 3600, quem já consultou continua vendo o valor antigo por até uma hora depois da sua mudança.

A prática segura antes de migrar um site: baixe o TTL para 300, espere o TTL antigo expirar, faça a troca e depois suba o valor de novo. TTL baixo demais o tempo todo só aumenta o número de consultas sem ganho.

Quais erros mais atrapalham?#

  • CNAME e outro registro no mesmo nome: o painel recusa ou o comportamento fica imprevisível. Remova o A/AAAA antigo antes.
  • Dois registros SPF: o resultado é erro de verificação. Junte tudo em um.
  • MX apontando para CNAME: a RFC 2181 proíbe, e a entrega de e-mail pode falhar. Aponte para um nome com A.
  • Nome duplicado: digitar app.meusite.com.br num painel que já completa o domínio gera app.meusite.com.br.meusite.com.br.
  • Editar no lugar errado: se o domínio está delegado a outro provedor de DNS, os registros do registrador não valem. Confira com dig NS.
  • Ponto final: em arquivos de zona, meusite.com.br. com ponto é nome absoluto; sem ponto, o domínio é anexado.

Para o passo a passo prático de apontar um domínio, veja como apontar um domínio para sua hospedagem.

Como fazer isso na Square Cloud#

Para ligar um domínio próprio a uma aplicação na Square Cloud, você usa dois dos tipos deste guia: um CNAME apontando para cname.squareweb.app e um TXT de validação. O painel mostra os valores exatos quando você adiciona o domínio e acompanha a validação em tempo real. Assim que os registros aparecem, o TLS é emitido automaticamente. Domínios com acento (Punycode) são aceitos.

Para usar a raiz, o seu provedor de DNS precisa aceitar CNAME na raiz (flattening ou ALIAS), pela mesma regra do CNAME vista acima. E se o nome escolhido já tem um A ou AAAA antigo, apague-o antes de criar o CNAME.

O resto da zona continua com você, no registrador ou no provedor de DNS: MX, SPF, DKIM e os demais TXT não mudam, e o domínio segue registrado em seu nome. O domínio personalizado está disponível a partir do plano Standard (a partir de R$ 44,99 por mês). Em todo plano, cada aplicação web já responde num subdomínio *.squareweb.app com HTTPS, sem você criar registro nenhum. Veja o passo a passo em domínios personalizados e compare os planos em preços.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre registro A e CNAME?

O A aponta um nome para um endereço IPv4. O CNAME aponta um nome para outro nome, e quem resolve segue esse nome até chegar a um IP. Use CNAME quando o destino for um nome e A quando for um IP.

Para que serve o registro MX?

O MX diz quais servidores recebem os e-mails do domínio. Cada MX tem uma prioridade, e os servidores de e-mail tentam primeiro o de menor valor.

Posso ter dois registros SPF no mesmo domínio?

Não. A RFC 7208 não permite vários registros SPF no mesmo nome, e isso gera erro de verificação (permerror). Junte todos os remetentes autorizados em um único TXT que começa com v=spf1.

O que é TTL em um registro DNS?

É o tempo, em segundos, que um resolvedor pode guardar a resposta em cache antes de consultar de novo. TTL baixo propaga mudanças mais rápido, TTL alto reduz consultas.

Próximo passo · Passo 3 de 5Como apontar um domínio para sua hospedagemPara apontar um domínio para sua hospedagem, crie um registro CNAME (ou A) no DNS do seu registrador. Veja o passo a passo, como testar e os erros comuns.

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