Objetivos de aprendizado
Depois de ler este artigo, você vai conseguir:
- Reconhecer os tipos de registro mais usados (A, AAAA, CNAME, MX, TXT, NS, CAA)
- Ler uma zona DNS e entender nome, tipo, valor e TTL
- Consultar registros com dig e evitar os conflitos mais comuns
Quando você digita um endereço no navegador, o DNS traduz o nome para algo que a rede entende. Essa tradução vem de uma lista de instruções guardada para cada domínio: os registros DNS.
Quem mexe em domínio cedo ou tarde precisa criar um registro, seja para publicar um site, configurar e-mail ou verificar o domínio em algum serviço. Entender os tipos evita o erro clássico de apagar o registro errado e derrubar tudo.
O que é um registro DNS?#
Um registro DNS é uma linha na zona do domínio, o conjunto de dados que o domínio publica nos seus servidores de nomes. Todo registro tem quatro partes:
| Campo | O que significa | Exemplo |
|---|---|---|
| Nome | Qual nome do domínio o registro descreve (@ é a raiz) |
www |
| Tipo | A função do registro | CNAME |
| Valor | O destino ou o conteúdo | meusite.com.br. |
| TTL | Segundos que o resultado pode ficar em cache | 3600 |
Uma zona de exemplo, no formato clássico de arquivo de zona (os endereços 203.0.113.x e 2001:db8:: são reservados para documentação):
meusite.com.br. 3600 IN A 203.0.113.10
meusite.com.br. 3600 IN AAAA 2001:db8::10
www.meusite.com.br. 3600 IN CNAME meusite.com.br.
meusite.com.br. 3600 IN MX 10 mail.meusite.com.br.
meusite.com.br. 3600 IN TXT "v=spf1 include:_spf.exemplo.net ~all"Quais são os tipos de registro mais usados?#
A e AAAA#
O A liga um nome a um endereço IPv4. O AAAA faz o mesmo com IPv6. Um nome pode ter vários A, e cada cliente escolhe um dos endereços, o que espalha as conexões entre eles. É o registro básico de qualquer site. Para entender os tipos de endereço, veja IPv4, IPv6 e IP fixo.
CNAME#
O CNAME faz de um nome um apelido de outro. Quem resolve www.meusite.com.br descobre que é alias de meusite.com.br e segue a consulta até achar o IP. Vantagem: se o destino trocar de IP, você não precisa editar nada.
A regra que mais gera erro: segundo a RFC 2181, um nome com CNAME não pode ter outros dados. Como a raiz do domínio sempre tem NS e SOA, ela não aceita CNAME. Alguns provedores oferecem ALIAS, ANAME ou CNAME flattening, recursos próprios que simulam esse comportamento na raiz.
MX#
O MX define quais servidores recebem o e-mail do domínio. Ele tem um número de prioridade, e a RFC 1035 define que valores menores são preferidos. Com 10 mail1 e 20 mail2, o remetente tenta o primeiro e só usa o segundo se o primeiro falhar. O destino de um MX precisa ser um nome com registro A ou AAAA, nunca um CNAME (RFC 2181, seção 10.3).
TXT#
O TXT guarda texto livre e virou o canivete suíço do DNS. Usos comuns:
- SPF: lista quem pode enviar e-mail pelo domínio. Começa com
v=spf1. - DKIM: publica a chave pública que valida a assinatura dos e-mails.
- DMARC: política para e-mails que falham em SPF e DKIM, publicada em
_dmarc.seudominio. - Verificação de propriedade: serviços pedem um TXT com um código para provar que o domínio é seu.
Dois limites práticos: cada pedaço de texto num TXT tem no máximo 255 bytes (valores maiores são divididos em vários pedaços, o que a maioria dos painéis faz sozinho), e o SPF permite no máximo 10 consultas DNS (include, a, mx e similares) e um único registro SPF por nome, segundo a RFC 7208. Passar disso invalida o SPF.
NS, SOA e CAA#
- NS: indica quais servidores de nomes respondem pela zona. É o que "delega" o domínio a um provedor de DNS.
- SOA: metadados da zona (servidor primário, contato, número de série).
- CAA: restringe quais autoridades certificadoras podem emitir certificados para o domínio. Exemplo:
meusite.com.br. CAA 0 issue "letsencrypt.org". Está na RFC 8659.
Outros tipos existem, como SRV (localiza serviços por porta) e PTR (resolução reversa, de IP para nome), mas aparecem menos no dia a dia de quem hospeda um site ou bot.
Como consultar registros DNS?#
O dig mostra o que o DNS responde, sem cache do navegador no meio:
dig meusite.com.br A +short
dig meusite.com.br MX +short
dig meusite.com.br TXT +short
dig NS meusite.com.br +shortNo Windows sem dig, use nslookup:
nslookup -type=MX meusite.com.brPara ver o que um resolvedor público específico enxerga, passe o servidor: dig @1.1.1.1 meusite.com.br A +short. Se a resposta diverge do que você configurou, pode ser cache antigo: veja propagação de DNS.
O que é TTL e por que ele importa?#
O TTL é o tempo, em segundos, que resolvedores podem guardar a resposta. Com TTL 3600, quem já consultou continua vendo o valor antigo por até uma hora depois da sua mudança.
A prática segura antes de migrar um site: baixe o TTL para 300, espere o TTL antigo expirar, faça a troca e depois suba o valor de novo. TTL baixo demais o tempo todo só aumenta o número de consultas sem ganho.
Quais erros mais atrapalham?#
- CNAME e outro registro no mesmo nome: o painel recusa ou o comportamento fica imprevisível. Remova o A/AAAA antigo antes.
- Dois registros SPF: o resultado é erro de verificação. Junte tudo em um.
- MX apontando para CNAME: a RFC 2181 proíbe, e a entrega de e-mail pode falhar. Aponte para um nome com A.
- Nome duplicado: digitar
app.meusite.com.brnum painel que já completa o domínio geraapp.meusite.com.br.meusite.com.br. - Editar no lugar errado: se o domínio está delegado a outro provedor de DNS, os registros do registrador não valem. Confira com
dig NS. - Ponto final: em arquivos de zona,
meusite.com.br.com ponto é nome absoluto; sem ponto, o domínio é anexado.
Para o passo a passo prático de apontar um domínio, veja como apontar um domínio para sua hospedagem.
Como fazer isso na Square Cloud#
Para ligar um domínio próprio a uma aplicação na Square Cloud, você usa dois dos tipos deste guia: um CNAME apontando para cname.squareweb.app e um TXT de validação. O painel mostra os valores exatos quando você adiciona o domínio e acompanha a validação em tempo real. Assim que os registros aparecem, o TLS é emitido automaticamente. Domínios com acento (Punycode) são aceitos.
Para usar a raiz, o seu provedor de DNS precisa aceitar CNAME na raiz (flattening ou ALIAS), pela mesma regra do CNAME vista acima. E se o nome escolhido já tem um A ou AAAA antigo, apague-o antes de criar o CNAME.
O resto da zona continua com você, no registrador ou no provedor de DNS: MX, SPF, DKIM e os demais TXT não mudam, e o domínio segue registrado em seu nome. O domínio personalizado está disponível a partir do plano Standard (a partir de R$ 44,99 por mês). Em todo plano, cada aplicação web já responde num subdomínio *.squareweb.app com HTTPS, sem você criar registro nenhum. Veja o passo a passo em domínios personalizados e compare os planos em preços.
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Domínio próprio, TLS automático e CDN global para o seu app
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre registro A e CNAME?
O A aponta um nome para um endereço IPv4. O CNAME aponta um nome para outro nome, e quem resolve segue esse nome até chegar a um IP. Use CNAME quando o destino for um nome e A quando for um IP.
Para que serve o registro MX?
O MX diz quais servidores recebem os e-mails do domínio. Cada MX tem uma prioridade, e os servidores de e-mail tentam primeiro o de menor valor.
Posso ter dois registros SPF no mesmo domínio?
Não. A RFC 7208 não permite vários registros SPF no mesmo nome, e isso gera erro de verificação (permerror). Junte todos os remetentes autorizados em um único TXT que começa com v=spf1.
O que é TTL em um registro DNS?
É o tempo, em segundos, que um resolvedor pode guardar a resposta em cache antes de consultar de novo. TTL baixo propaga mudanças mais rápido, TTL alto reduz consultas.
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